De onde vem o socorro
"Elevo os meus olhos para os montes e pergunto: de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra."Salmo 121:1-2
Esse salmo era cantado em movimento: faz parte dos "cânticos dos degraus", entoados pelos peregrinos que subiam a pé até Jerusalém. Gente cansada de estrada, olhando os montes no horizonte — montes bonitos, mas também perigosos: neles havia assaltantes e altares de deuses pagãos. A pergunta do viajante era sincera: olho pra cima... e o socorro vem de onde?
A Bíblia não finge que a dúvida não existe — ela deixa a pergunta ser feita, no meio do culto, cantada em voz alta. Fé não é ausência de pergunta; é saber a quem perguntar. E a resposta vem com credencial: "o meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra". Não vem do monte, nem do altar pagão, nem da sorte — vem do Autor de tudo.
O resto do salmo é uma das coisas mais ternas da Bíblia: "não dormita nem dorme o guarda de Israel". Todo cuidador humano tem turno: o médico sai de plantão, a mãe precisa dormir, o amigo desliga o telefone. Deus não tem turno. Enquanto você dorme, Ele segue de guarda. Gerações de mães aflitas e pais em vigília dormiram seguradas por esse versículo.
Prática de hoje: transforma o gesto em oração. Cada vez que teus olhos subirem — pro céu, pro teto, pra janela do escritório — dispara uma oração-flecha de uma linha: "meu socorro vem de Ti". Sem cerimônia, no meio do expediente. No fim do dia, conta quantas flechas subiram. Cada uma foi um lembrete de quem está de plantão.
Pra guardar hoje
Fé não é não ter perguntas.
É saber a quem perguntar.